8.mai.2012


F-Commerce: expectativas e realidade


“In three to five years, 10 percent to 15 percent of total consumer spending in developed countries may go through sites such as Facebook”: Mike Fauscette, Analyst, IDC Consulting

“It’s a matter of time—within the next five or so years—before more business will be done on Facebook than Amazon”: Sumeet Jain, Principal, CMEA Capital

No final de 2009, estas eram as opiniões de analistas. O F-Commerce (dentro das suas formas principais – directamente no Facebook ou na Web, pela utilização de social plugins e storefronts) parecia ter um futuro brilhante a curto prazo, com as expectativas a serem colocadas muito altas. Muitos indicadores suportavam esta visão: o número de utilizadores, o seu perfil, o nível de envolvimento permitido e o rápido passa-palavra, para além da rápida adaptação das empresas, na adopção de plataformas de comércio electrónico nas redes sociais.

No entanto, no princípio de 2012, notaram-se algumas evoluções, que parecem contrariar o que se pensava apenas há 3 anos. Muitas empresas, incluindo algumas das maiores dos Estados Unidos, decidiram tomar um caminho diferente e fechar as suas lojas de F-Commerce. Exemplos como a GAP, Nordstrom ou Gamestop estão entre as mais conhecidas a alterarem estratégias, pondo em causa a ideia de que as redes sociais uma das importantes fontes de receita para empresas retalhistas. A razão para tal é explicada de forma simples, numa óptica de gestão: a falta de retorno do investimento prevista para o mercado potencial existente no Facebook. As suas páginas tornaram-se assim apenas um meio de comunicar aos clientes sobre produtos e promoções, mais do que local para efectuar as vendas. Estas empresas consideraram que o Facebook não era o sítio certo para vender, dada a disposição e o interesse dos utilizadores da rede nem sempre coincidir com o espírito de consumidor dessas mesmas pessoas.

Naturalmente, o facto de algumas empresas, ainda que de grande dimensão, terem fechado as suas plataformas de comércio baseadas no Facebook não significa que este meio esteja condenado ao fracasso mas antes que as abordagens ao canal não tenham sido as mais indicadas. Em muitas situações, as empresas limitaram-se a importar para o Facebook os seus catálogos de produtos, tornando-os disponíveis aos seus seguidores através de Apps. Desta forma, pensava-se poderem oferecer uma experiência de compra completa dentro da rede, desde o momento de entrada, à consulta e decisão de compra e respectivo pagamento. Contudo, esta experiência não trazia nada de novo ao cliente: navegar na página Facebook ou no site do vendedor era pouco ou nada diferente, para além de que a usabilidade na rede social era geralmente mais lenta e nem todos os utilizadores/consumidores se sentiam seguros em fornecer os seus dados de pagamento por esta via (algumas estatísticas apontam que 55% dos utilizadores não se sentem seguros a dar os seus dados de cartão de crédito nas redes sociais). Mesmo que a plataforma social pudesse gerar algum buzz em torno da sua oferta e promoções, os custos de desenvolvimentos e manutenção da plataforma não compensavam, em muitos casos, a sua continuidade. Parece assim um desperdício importante perder os quase 75% de utilizadores que indicam que comprariam mais se tivessem recomendações dos seus amigos…

Torna-se assim importante que as empresas e marcas consigam encontrar um ponto de equilíbrio entre o comércio e as características de socialização inerentes às redes sociais. O envolvimento é assim a palavra de ordem, de maneira a atrair os clientes, levá-los a comprar e ainda recompensá-los por isso.
Melhorar e diferenciar a experiência de compra, o que falhou em muitos dos casos mencionados, será a maneira inteligente de fazer vingar os investimentos nesta área.

E ideias e ferramentas não faltam. Uma procura pelo assunto nos motores de busca apresenta-nos uma enorme quantidade de resultados. O site ebiznet2u.com indicou recentemente aquelas que são consideradas as quatro melhores aplicações de comércio electrónico para Facebook:

- Highwire Social Store;
- Pavyment Social Commerce;
- Vendorshop Facebook Store;
- Storenvy Store App.

Uma análise rápida por elas se percebe o esforço na sua fácil utilização e adaptação nas páginas dos vendedores no Facebook, com a inclusão de carrinhos de compra intuitivos e a disponibilização de meios de pagamento electrónicos, com Paypal e cartões de crédito.

Em resumo, apesar de alguns contratempos e do abandono, talvez apenas temporário de algumas mais marcas mais importantes, o F-Commerce ainda parece permanecer uma interessante plataforma de aumentar as vendas. Com um universo imenso de utilizadores, que se mantém durante longos períodos de tempo activo em rede, a inúmeras possibilidades de partilha e recomendação de informação e as formas mais ou menos criativas de se trazer o cliente e o agarrar a uma loja dentro do Facebook, muito existe por explorar e aproveitar. No entanto, novos meios estão a aparecer e poderão causar mais alterações. O fenómeno Pinterest é o mais recente e em termos sociais, estará já a causar sensação junto dos investidores, pelas suas características, que apelam mais à compra do que à mera socialização.


 











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