28.ago.2012
Futuro do Facebook

Qual o futuro do Facebook?


Numa altura em que as acções do Facebook têm descido desde o dia do seu IPO (começaram por valer 38 dólares e a 14 de Agosto o valor rondava os 20 dólares) as perguntas que têm surgido desde então são quanto vale esta rede social online e por quanto tempo?

Uma forma de responder a estas questões será perceber como o Facebook gera capital económico.
 
Previsivelmente, grande parte das suas receitas provêm dos anúncios online pagos, quer por utilizadores comuns, quer pelas grandes marcas – o resto advém da relação intrínseca que mantém com a empresa Zynga, criadora de jogos sociais populares como o FarmVille, tendo representado em 2011 12% das suas receitas.
 
Assim sendo, a continuidade do investimento feito nestes anúncios online depende em larga medida da sua eficácia. Um facto que coloca a empresa americana numa situação delicada se considerarmos os baixos valores de click through dos anúncios colocados na sua página Web de acordo com estudos recentes.
 
A título de exemplo, aproveito para referir uma investigação coordenada por mim, realizada na Universidade de Austin no Texas, com recurso a aplicação de tecnologia eye tracking, e recentemente apresentada no LCBR European Marketing Conference 2012, que revela que apenas um quarto dos utilizadores notou a presença dos anúncios online expostos nesta rede social durante a sua participação. Um facto que poderá ser justificado pela conhecida teoria “banner blindnesse” e pela previsibilidade da localização dos anúncios.
 
Independentemente dos resultados que este ou outros estudos possam revelar quanto à eficácia dos anúncios online no Facebook, “bombardear” os utilizadores com publicidade agressiva pode colocar em risco a própria “user experience” e a actual conotação da rede online como “cool”. Por essa razão, os interesses dos utilizadores devem ser postos em primeiro lugar. Afinal são eles quem fazem do Facebook o que ele é, sob pena de este ficar pelo caminho, tal como já aconteceu com outras comunidades virtuais como o Friendster, Hi5.com e o MySpace.
 
Afinal de contas, quem se inscreve no Facebook fá-lo não com a intenção de encontrar ou ver anúncios, mas sim para saber o que andam a fazer as pessoas que compõem a sua rede social (amigos, colegas, familiares, etc), ou para partilhar opiniões ou informações (sejam elas interessantes ou fúteis, como o que se jantou no dia anterior). Isto é, o Facebook é uma plataforma com funções basilares pessoal e social. O uso que as organizações fazem do site é que faz acrescer àquelas a função “infomercial” (um misto de canal de difusão de mensagens, com fins comerciais).
 
Consequentemente, fica-se com a dúvida se valerá a pena investir em anúncios online ou, por exemplo, em programas de incentivo de recomendações que beneficiam da credibilidade do emissor. O famoso dilema sobre “paid advertising” ou “earned advirtising” (e que poderá servir para um futuro post).
 
Por tudo isto, o futuro do Facebook não deveria depender tanto das receitas dos anúncios online. Ao invés, deveria procurar alternativas, como, por exemplo, cobrar às organizações um fee mensal ou anual pela sua presença num espaço onde diariamente 900 milhões confluem. Importa não esquecer que o verdadeiro potencial desta rede para as empresas e instituições não está na divulgação de anúncios, mas na potencialidade de conhecer melhor o seu target e de estabelecer relações próximas com ele (e por que não de co-produção?). Claro está, os efeitos não são imediatos e dificilmente mensuráveis.
 
Para além disso, há que ter em conta que a experiência mobile está para ficar. Estará a rede online preparada para dar resposta a um crescente número de utilizações simultâneas da sua app?
 
Finalmente, será que dentro de 5 anos vamos continuar a usar este site? E as novas gerações? Não é possível antecipar uma resposta, uma vez que não se sabe que futuras plataformas entretanto poderão advir e qual será a reacção dos actuais seguidores do Facebook a elas e da própria empresa.
 
Em suma, o valor do Facebook é em grande medida determinado pelos interesses dos seus utilizadores, cuja lealdade é imprevisível num futuro incógnito; pela forma como a empresa é capaz de se adaptar às novas exigências do mercado; e pela sua capacidade de colocar em primeiro lugar os interesses dos utilizadores.
 
Posto isto, estaria interessado em investir e comprar acções da mais popular rede social online?


 











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